Violentos Vermelhos é a minha segunda exposição individual e eu convido, um tanto à fórceps, o espectador a entrar no universo da violência feminina sob o prisma da vítima. O tema é amplamente discutido, sim, mas ainda angustia e traz aos holofotes as malezas da humanidade.
"Violentos Vermelhos não é uma exposição para ser bonita. A violência nunca será bela. A estética vermelha revela o sangue que escorre, o sangue de todas as violentadas, as silenciadas, as humilhadas, as assassinadas."
É um verso triste, como escreve Neruda, e triste porque não haverá poesia feita de cadáveres, sejam eles mortos ou vivos...
“Às vezes o ato acaba, mas o estupro continua” evidencia a tela intitulada “Estupro”, fruto de uma notícia sobre um crime de estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro no ano de 2022. A vítima de violência não se recupera, não há psicologia capaz de salvar uma mulher abusada por 30 homens.
Onde erramos enquanto humanidade para permitirmos que esses índices alarmantes de violência se concretizem?
As estatísticas são, por si só, a própria violência — a cada 8 minutos uma mulher é violentada nesse país.Há muitos questionamentos a serem feitos através da arte, há indagações profundas a serem discutidas. Esse é um convite à reflexão e, principalmente, um aviso de advertência que nos lembra que violentar uma mulher é esquecer que a vida é gerada através do ventre feminino e que agredir uma mulher é, sobretudo, agredir a humanidade.